Archive for the ‘scifi’ Category

Dorsai

Saturday, October 23rd, 2010

Um destes dia, numa das muitas feiras de livros com que frequentemente me cruzo (desta vez penso que nas festas de Corroios), comprei mais uns quantos livros da colecção Argonauta, da editora «Livros do Brasil». Acabei agora de ler um deles, Dorsai!

Dorsai é uma obra de ficção cientifica, da autoria de Gordon R. Dickson, autor galardoado com três prémios hugo e um prémio Nébula.

Donal resolveu afastar-se, pois já não valia a pena continuar a escutar a conversa. Caminhou em silêncio até calcular que já não poderia ser ouvido; a partir daí afastou-se rapidamente, sem se preocupar com o barulho que fazia. O percurso seguido até encontrar Hugh levara-o a atravessar quase toda a povoação, e como tal estava agora muito perto do perimetro da sua força. A curta noite do hemisfério norte de Harmonia estava já a ceder lugar a uma alvorada cinzenta. Dirigiu-se aos seus homens, estremecendo ao ter mais um dos seus estranhos pressentimentos.

- Alto! – gritou uma das sentinelas quando Donal dobrou a esquina da última casa. – Alto! Dê-me a senha… senhor!

- Vem comigo! – gritou Donal. – Como é que se vai para a área do Terceiro Grupo?

- Por aqui, senhor – disse o homem, seguindo à sua frente, esforçando-se por acompanhar as largas passadas do seu comandante.

Entraram de rompante na área do Terceiro Grupo; Donal levou o apito aos lábios e apitou a chamar Lee.

- O que é… – resmungou uma voz ensonada vindo de uns seis metros de distância. Um dos sacos-cama rolou de lado e abriu-se para revelar o corpo ossudo do ex-mineiro. – Mas que raio… senhor?

Donal avançou para o homem e agarrou-o com ambas as mãos pela gola do blusão, virando-o na direcção do território inimigo, do qual vinha uma leve aragem.

- Cheire! – ordenou.

Lee pestanejou, esfregou o nariz com os dedos ossudos e aspirou o ar do amanhecer. Repetiu a inalação mais duas ou três vezes, as narinas bem abertas… e de repente ficou completamente acordado.

- É o mesmo cheiro, senhor – disse, virando-se para Donal. – Só que agora é mais forte.

- Muito bem – disse Donal, dirigindo-se à sentinala. – Quero que me leves uma mensagem aos chefes de grupo séniores do Primeiro e Segundo Grupos. Eles qe ponham os homens todos em cima das árvores, bem escondidos no meio das copas, e subam também depois de tudo pronto.

- Em cima das árvores, senhor?

- Mexe-te! Quero todos os homens desta força a doze metros do chão dentro de dez minutos… com as suas armas!

A sentinela virou-se para ir cumprir a ordem.

- Se ainda tiveres tempo, depois de entregares a mensagem tenta passá-la ao QG do Comando. Se não fores capaz, trepa para a árvore mais próxima. Percebeste?

- Percebi, senhor.

- Então, desanda!

É assim que Donal evita que a primeira vez que é Comandante de Força, as tropas sob o seu comando sejam transformadas em picadinho, para grande desgosto do seu patrão, que tinha melhores planos para o encontro dessa madrugada.

Dorsai é o primeiro de uma série de livros designados de Childe Cycle, que nos fala de um universo bem mais populado de humanos do que o conhecemos hoje, em que cada planeta se especializa num conjunto muito específico de competências, em que essa especialização é levada a um extremo que em 1960 se começava a vislumbrar, mas que hoje já conseguimos perceber, que já conseguimos antever. Este é o primeiro livro de Gordon que leio, mas não será certamente o último (mais que não seja porque já tenho o Necromante na pilha de livros à espera para serem devorados). E claro, Gordon Dickson passou a ser um nome, juntamente com HeinLeinPhilip DickAsimov de que as minhas prateleiras nunca terão livros a mais!

Friday

Saturday, October 23rd, 2010

Quando saí da cápsula do Feijoeiro do Quénia, ele ia mesmo atrás de mim. Seguiu-me através da porta que levava à Alfandega, Saúde e Imigração. Quando a porta se contraiu atrás dele, matei-o.

Nunca gostei de andar no Feijoeiro. O meu desagrado já atingira o ponto máximo, mesmo antes do desastre com o Anzol Celeste de Quito. Um cabo que sobe em direcção ao céu, sem nada que o segure, cheira a magia. Mas a única forma alternativa de chegar a Ell-Cinco era excessivamente morosa e cara; as minhas encomendas e aquilo de que dispunha para despesas não dava para isso.

Por tudo isto já estava com os nervos em franja, mesmo antes de sair do transporte de Ell-Cinco, na Stationary Station, para tomar a cápsula do Feijoeiro… mas, cos diabos, lá por estar com os nervos em franja não queria dizer que fosse matar um homem. A minha intensao era apenas deixá-lo inconsciente durante algumas horas.

Assim começa a estória de Friday, uma mulher artificial, criada pela engenharia genética. Este livro de Robert HeinLein, que há alguns anos a Europa América publicou na sua colecção Ficção Cientifica de Livros de Bolso, em três volumos, é a terceira obra de HeinLein que leio, e que durante anos procurei em tudo quanto é livraria, sem sucesso.

Valeu a pena a busca, e a espera. Tal como Nave Galileu, que foi a primeira obra do autor que li, é uma obra indescritível. Li as cerca de 500 páginas dos três volumes (cerca de 170 cada), em quatro ou cinco dias, com imensa dificuldade em retirar os olhos dos livros.

Uma obra fantástica.

À Boleia pela Galáxia

Saturday, October 23rd, 2010

Segundos antes de a Terra ser destruida para dar lugar a uma auto-estrada intergaláctica, Arthur Dent é salvo e levado para bordo da nave que estava a construir a auto-estrada por um amigo.

Um livro ilariante, que nos fala de coisas altamente improváveis, como sejam naves com propulsão de improbabilidade ou ratos que andam à milhões de anos a fazer teste connosco, ou dois primos de outro mundo, um deles o melhor amigo de um tipo, o outro rouba-lhe a candidata a namorada, e que acabam por se juntar (os quatro) no meio de nenhures, e tudo porque o segundo primo decide procurar um planeta altamente imporvável de existir, mas que afinal existe mesmo.

À boleia pela galáxia é um livro que nos fala da resposta para a pergunta derradeira da vida, do universo e de tudo o resto:

Dois homens sobriamente vestidos encontravam-se respeitosamente sentados em frente do terminal e esperavam.

- Está quase na hora – disse um deles. E Arthur ficou espantado ao ser uma palavra materializar-se repentinamente no ar, mesmo ao lado do pescoço do homem. Dizia LOONQUAWL e piscou algumas vezes antes de desaparecer novamente. Antes que Arthur conseguisse assimilar este facto, o outro homem falou, provocando a aparição da palavra PHOUCHG junto ao seu pescoço.

- Há setenta e cinco mil gerações, os nossos antepassados iniciaram este programa – disse o segundo homem. – E depois de todo este tempo, seremos nós os primeiros a ouvir o computador falar.

- Uma prespectiva pavorosa, Phouchg – Anuiu o primeiro homem. Só então Arthur percebeu que o que tinha visto antes eram legendas.

- Seremos nós que ouviremos – replicou Phouchg – a resposta à grande pergunta sobre a vida…!

- O universos…! – continuou Loonquawl.

- E tudo o resto!

-Chiu! – exclamou Loonquawl com um pequeno gesto. – Acho que o Pensamento Profundo se está a preparar para falar!

Houve um pausa expectante enquanto os painéis da frente da consola ganhavam vida lentamente. Luzes piscaram de forma experimental, acabando por assumir um padrão funcional. Um suave zumbido veio do canal de comunicações.

- Bom dia – disse finalmente Pensamento Profundo.

- Hmm… Bom dia, Pensamento Profundo – disse Loonquawl, nervoso. – Tens… hmmm, isto é…

- Uma resposta para vos dar? – interrompeu Pensamento Profundo majestosamente. – Sim. Tenho.

Os dois homens estremeceram de ansiedade. A sua espera não fora em vão.

- Há mesmo resposta? – arquejou Phouchg.

- Há mesmo resposta. – confirmou Pensamento Profundo.

- Para tudo? Para a pergunta derradeira da vida, do universo e de tudo o resto?

- Sim.

Ambos os homens tinham sido treinados para este momento e as suas vidas dedicadas à preparação deste instante. Tinham sido escolhidos à nascença para serem aqueles que iriam testemunhar a resposta mas, mesmo assim, deram por si a gaguejar e a contorcer-se como crianças excitadas.

- E estás pronto para nos dar essa resposta? – insitiu Loonquawl.

- Estou.

- Agora?

- Agora. – disse Pensamento Profundo.

Os dois homens passaram a língua pelos Lábios secos.

- Mas parece-me – acrescentou Pensamento Profundo – que ela não vos vai agradar.

- Não interessa! – disse Phoughg. – Temos de saber! Agora!

- Agora? – perguntou Pensamento Profundo.

- Sim! Agora…

- Está bem – concordou o computador. E voltou tudo ao silêncio. Os dois homens agitaram-se. A tensão era insuportável.

- Vocês não vão gostar mesmo nada – avisou.

- Diz-nos!

- Está bem – disse Pensamento Profundo – A resposta à Pergunta Derradeira…

- Sim…!

- Sobre a Vida, o Universo e Tudo o Resto…

- Sim…!

- É…

- Sim…!!…?

- Quarenta e dois – pronunciou Pensamento Profundo calma e majestosamente.

E assim ficamos a saber a resposta à pergunta, e no capitulo seguinte o autor diz-nos como pode ser descoberta a pergunta, pois a resposta é bastante obvia depois de se saber a pergunta…

Um livro fascinante, digo mais uma vez, que se lê com tal facilidade que o dificil, verdadeiramente, é parar. Um livro que comprei em Português, mas que em breve irei comprar em inglês… Se alguém me quizer oferecer uma prenda de natal aqui fica um sugestão…