A Última Aula

Posted by themage at 2008-09-13 22:08:30 with the tags
A Última Aula é muito mais do que um livro. É realmente a última aula, dada por um professor catedrático, Randy Pausch, consciente de que essa seria a sua última aula.

A Carnegie Mellon University, a Univerdade onde Randy terminou a sua carreira, teve em tempo um programa a que chamava A última aula, em que um professor convidado dava aquela que gostaria que fosse a sua última aula. No caso de Randy Pausch, devido ao problema de cancro que lhe tinha sido diagnosticado, essa seria mesmo a sua última aula. Ele sabia-o, e fez dessa uma aula que merece ser recordada.

Deixo-vos um pequeno estrato do livro, que foi escrito posteriormente a essa aula, estendendo-a:

Sonhar em grande



Os homens pisaram a Lua no Verão de 1969, tinha eu oito anos. Soube então que quase tudo era possível. Era como se todos nós, em todo o mundo, tivéssemos obtido permissão para ter sonhos em grande.

Nesse verão tinha ido acampar e, quando o módulo lunar poisou, fomos para a casa principal da fazenda, onde tinham ligado uma televisão. Os astronautas estavam a demorar muito tempo a organizar-se antes de poderem descer a escada e andar na superfície da lunar. Eu compreendia. Tinham muito equipamento, muitos pormenores a tratar. Eu era paciente.

Mas as pessoas que dirigiam o acampamento não paravam de ver as horas. Já passava das onze. Eventualmente, enquanto se tomavam decisões inteligentes na Lua, foi tomada uma idiota aqui na Terra. Era muito tarde. As crianças foram todas enviadas de volta às tendas para dormir.

Estava profundamente irritado com os directores do acampamento. O pensamento que me atormentava era o seguinte: «A minha espécie saiu do nosso planeta e aterrou pela primeira vez num mundo novo e vocês estão preocupados com a hora de deitar?»

Mas quando cheguei a casa, algumas semanas depois, descobri que o meu pai tinha tirado uma fotografia à nossa televisão assim que Neil Armstrong pisou a Lua. Tinha preservado o momento para mim, pois sabia que podia ajudar a desencadear sonhos em grande. Ainda temos essa fotografia num álbum.

Compreendo quem argumenta que os milhares de milhões de dólares gastos para colocar homens na Lua poderiam ter sido utilizados para combater a pobreza e a fome na Terra. Mas pronto, sou um cientista que vê a inspiração como derradeira ferramenta para fazer o bem.

quando utilizamos o dinheiro para combater a pobreza, isso pode ser de grande valor, mas, com demasiada frequência, trabalhamos à margem. Quando se colocam pessoas na Lua, inspiramo-nos todos para desenvolver o nosso máximo potencial humano, que é como eventualmente os nossos problemas serão resolvidos.

Permitam-se sonhar. Alimentem também os sonhos dos vossos filhos. De vez em quando, isso pode significar deixá-los ficar acordados depois da hora de deitar.


É um pequeno livro, que vale muito a pena ler. eu li-o, mesmo depois de já ter visto o video integral da aula, com cerca de uma hora e um quarto. Claro que depois de ler o livro voltei a ver o vídeo. O livro leva a aula um pouco mais longe, com novos exemplos, e com detalhes adicionais.

Vejam o vídeo, leiam o livro, e repitam, como eu já fiz várias vezes com o vídeo.

Você, Lda

Posted by themage at 2008-07-16 09:57:04 with the tags
Você, Lda é um livro sobre como gerir a própria imagem, sobre a empresa pessoa. É indispensável para o profissional independente e para o pequeno empresário, mas é indicado para todos nós. Na realidade, como os próprios autores (Harry e Christine Beckwith) dizem logo num dos primeiros tópicos do livro, todos nós nos vendemos, constantemente.

Este é o livro que leio actualmente, ao almoço, depois do jantar, e às vezes nas filas de trânsito.

O livro é constituido por pequenos artigos, a maioria deles de menos de uma página. É, por assim dizer, um aglomerado de pequenos conselhos, muito úteis, e aparentemente óbvios. Mas, talvez por isso mesmo, importante de ler.

Desse pequenos conselhos, deixo-vos A roupa interior do escritor:

A Roupa Interior do Escritor



Na escrita, alguns chama-lhe "a roupa interior do escritor".

Para onde quer que olhe, ela agita-se na aragem.

Está lá quando o orador diz: "Vou ser recebido por Sua Santidade em Roma."

Ou quando o designer gráfico acrescenta ao logotipo uns floreados que parecem gritar: "Vejam como sou inteligente."

Ou quando alguém escolhe uma palavra erudita, quando uma palavra simples transmitiria melhor o que pretende dizer.

Em cada um destes casos, o comunicador entendeu mal o que é que a palavra "comunicar" significa realmente. A palavra "comunicar" e a palavra "comuna" partilham a mesma derivação. Ambas contêm um sentido de igualdade: a partilha entre pessoas.

Os três exemplos acima referidos não representam tentativas de partilhar qualquer coisa com outro para benefício comum. Cada um dos comunicadores está a tentar transmitir apenas uma impressão: sou uma pessoa dotada, talentosa e bem sucedida.

Os denominados comunicadores acreditam piamente que estão a proceder da forma correcta. Basta ver como um concorrente quase se contorce para dizer nomes de clientes importantes, convencido de que as suas técnicas de vendas o estão a ajudar de forma brilhante, para vermos que o potencial cliente vê o mesmo que nós.

Ergue uma sobrancelha como que a sugerir: "E acha que me deixo enganar?".

Não funciona.

Independentemente de como o fizer, quando mostra a sua roupa interior de escritor fica nu. Expõe-se. Apenas transmitiu que está ansioso por impressionar e que não é especialista em disfarçá-lo.

Não tente exibir-se; desde crianças que conseguimos detectar isso a quilómetros de distância.

 Não fale para; Fale com: comunique. 




Este é um livro que estou a gostar bastante de ler.

Blink!

Posted by themage at 2006-12-24 14:50:47 with the tags
Blink! é um longo inventário de situações que se cruzam e entrecruzam, como muito em comum, a começar pela sua relação com as decisões intuitivas e o inconsciente, com decisões informadas, decisões subinformadas e decisões excessivamente informadas.

Malcolm Gladwell fala-nos de diversas situações em que mudando a quantidade de informação utilizada para tomar decisões (mesmo aqueles decisões instantâneas, de vida ou morte, ou se gostamos ou não de uma pessoa) a decisão teria sido completamente distinta.

Eis alguns exemplo:

Recentemente, a investigadora clínica Wendy Levinson gravou centenas de conversas entre um grupo de médicos e os seus pacientes. Cerca de metade dos médicos nunca tinham sido processados. A outra metade fora alvo de processos judiciais pelo menos duas vezes, e Levinson, tendo como base apenas as conversas, verificou que havia diferenças claras entre os dois grupos. Os médicos que nunca tinham sido processados passavam mais três minutos com cada paciente do que os que o tinham sido (18,3 minutos em vez de 15). Eram mais passíveis de fazer comentários «de orientação», tais como: «Primeiro faço-lhe um exame, e depois falamos no assunto», ou então: «A seguir teremos tempo para responder às suas perguntas», o que ajudava os pacientes a perceber o que é que se pretendia com a consulta e quando é que podiam fazer perguntas. Esses médicos eram mais susceptiveis de ouvir com atenção, dizendo coisas como: «Vá lá, fale-me mais disso» e eram mais suscéptiveis de rir e dizer piadas durante a consulta. É interessante saber que não havia diferença na qualidade ou quantidade de informação que davam aos doentes; não forneciam mais pormenores sobre os remédios ou sobre a situação do doente. A diferença era exclusivamente a maneira como falavam com os doentes.

Na realidade pode levar-se a análise ainda mais longe. A psicóloga Nalini Ambady ouviu as gravações de Levinson, concentrando-se nas conversas que tinham sido gravadas apenas entre so médicos e os seus doentes. Para cada cirurgião escolher dois doentes. A seguir, de cada uma das conversas, escolheu dois fragmentos de dez segundos com o médico a falar, ficando, portanto, com uma fatia de 40 segundos. Finalmente filtrou o conteúdo das fitas, o que quer dizer que removeu os sons de alta frequência da fala que nos permitem distinguir as palavras umas das outras. O que fica depois dessa filtragem é uma espécie de algaraviada que preserva a entoação, o timbre e o ritmo, mas elimina o sentido. Usando essa «fatia fina» - e somente essa fatia -, Ambady fez uma análise do género das de Gottman. Pediu a avaliadores que classificassem as fatias de algaraviada, à procura de parâmetros, tais como calor, hostilidade, arrogância e nervosismo e descobriu que usando apenas esses valores era possível separar os médicos que tinham sido processados dos outros.


Este é um dos muitos exemplos que se podem encontrar no Blink!. Blink! é um livro sobre aquelas decisões que não percebemos, que acontecem, como nos diz o autor, por detrás de uma porta fechada.São muitas, e raramente as conseguimos realmente justificar. Muitas vezes não nos apercebemos mesmo que acontecem.

Um excelente livro, que recomendo vivamente.

Pense e Fique Rico

Posted by themage at 2006-12-09 00:17:25 with the tags
  1. Determine na sua mente a quantia exacta de dinheiro que deseja receber. Não é suficiente dizer apenas "Quero muito dinheiro". Seja preciso na quantia.
  2. Determine exactamente o que tenciona dar em troca do dinheiro que deseja. (A ideia de "algo a troco de nada" não existe.)
  3. Estabeleça uma data definitiva em que pretenda ter em sua posse o dinheiro que deseja.
  4. Crie um plano preciso para levar a cabo o seu desejo e comece de imediato, esteja ou não preparado para pôr o plano em acção.
  5. Agora coloque-o por escrito. Escreva uma declaração objectiva e concisa com a quantidade de dinheiro que pretende adquirir, determine a data limite para a sua aquisição, indique o que tenciona dar em troca do dinheiro e descreva claramente o plano através do qual tenciona acumulá-lo.
  6. Leia a sua declaração escrita em voz alta, duas vezes ao sia. Leia-a uma vez à noite antes de se deitar, e outra de manhã depois de se levantar. Enquanto lê, veja-se, sinta-se e acredite estar já na posse do dinheiro.


Estes seis passos foram retirados do livro Pense e Fique Rico, da autoria de Napoleon Hill. Terminei esta semana a leitura deste livro, que tenciono voltar a ler em breve, após um breve periodo de reflexão.

Seria mais um livro de auto-ajuda financeira, não fosse o facto de ser o primeiro livro do género, e também, de todos o que li, o que leva o tema mais longe, de uma forma mais concisa e clara.

Pense e Fique Rico é, mais do que um livro sobre como enriquecer, um livro sobre o poder da mente, o poder do pensamento.

É, certamente, um livro que não faltará na lista de livros recomendados, se algum dia criar uma lista deste tipo.

Um livro muito bom.

Friday

Posted by merlin at 2006-06-03 18:13:40 with the tags
Quando saí da cápsula do Feijoeiro do Quénia, ele ia mesmo atrás de mim. Seguiu-me através da porta que levava à Alfandega, Saúde e Imigração. Quando a porta se contraiu atrás dele, matei-o.

Nunca gostei de andar no Feijoeiro. O meu desagrado já atingira o ponto máximo, mesmo antes do desastre com o Anzol Celeste de Quito. Um cabo que sobe em direcção ao céu, sem nada que o segure, cheira a magia. Mas a única forma alternativa de chegar a Ell-Cinco era excessivamente morosa e cara; as minhas encomendas e aquilo de que dispunha para despesas não dava para isso.

Por tudo isto já estava com os nervos em franja, mesmo antes de sair do transporte de Ell-Cinco, na Stationary Station, para tomar a cápsula do Feijoeiro... mas, cos diabos, lá por estar com os nervos em franja não queria dizer que fosse matar um homem. A minha intensao era apenas deixá-lo inconsciente durante algumas horas.


Assim começa a estória de Friday, uma mulher artificial, criada pela engenharia genética. Este livro de Robert HeinLein, que há alguns anos a Europa América publicou na sua colecção Ficção Cientifica de Livros de Bolso, em três volumos, é a terceira obra de HeinLein que leio, e que durante anos procurei em tudo quanto é livraria, sem sucesso.

Valeu a pena a busca, e a espera. Tal como Nave Galileu, que foi a primeira obra do autor que li, é uma obra indescritível. Li as cerca de 500 páginas dos três volumes (cerca de 170 cada), em quatro ou cinco dias, com imensa dificuldade em retirar os olhos dos livros.

Uma obra fantástica.

Contos de Fados Politicamente Correcto

Posted by merlin at 2005-11-27 12:45:15 with the tags
Mas, naquele ano, o Inverno chegou muito cedo (ou foi o Verão que se foi embora muito depressa, dependendo da orientação climatérica de cada um) e os campos rapidamente deixaram de produzir. A pobre cigarra achou-se vitima dos caprichos das alterações meteorológicas. Andou saltitando pelos campos em busca de sustento de qualquer espécie. Ter-se-ia contentado com uma migalha, uma casquita, um semente ressequida, mas nada encontrou que fosse comestível.

Até que vislumbrou a formiga, que, com toda a energia, arrastava atrás de si uma bela palha de trigo. A fome da cigarra levou a melhor sobre o seu orgulho e ela avançou, com a ideia de pedir à formiga que com ela repartisse um bocadinho do seu imenso pecúlio alimentar. Só que a formiga, mal avistou a cigarra, desatou a gritar.

«AAAAHHHHHHHHH!!! O que é que tu queres? Que estás aqui a fazer? Vinhas roubar a minha palha, não vinhas? Eu sei que tu andavas à espera do dia em que me havias de roubar tudo o que tenho! Eu conheço bem a tua laia!»

A cigarra bem tentou interrompê-la, mas a formiga prosseguiu: «Não me digas nada! Não me venhas com falinhas mansas e promessas vãs! Para ter o que tenho fartei-me de trabalhar, coisa que não está na moda em certos círculos.»

A cigarra respondeu delicadamente: «Mas olha, Irmã Formiga, com certeza que tens mais do que algumas vez serás capaz de comer.»

«Isso é um problema meu», disse a formiga, «e, que eu saiba, não vivemos em nenhuma republica socialista, daquelas que até o sangue nos chupam... pelo menos por enquanto! Vê lá se tomas juízo, cigarra! O único sítio onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.»

«Sabes, é que eu estava com ideias de ir para a Austrália, mas o tempo a modos que mudou e tudo o que era comida desapareceu...»

«É assim que funciona um mercado livre, minha. Vê se aprendes a lição»


Se estivessemos a falar dos tradicionais contos de fadas que todos conhecemos, a história ficaria por aqui, e nada mais haveria a acrescentar, mas neste conto politicamente correcto, o resultado é ligeiramente diferente.

A meio da conversas aparece um louva (quejá não é a deus, porque isso foi proibido por decisão judicial), que se apresenta como auditor, que resulta, nas palavras do autor:

...bastando que se diga que o produto do açambarcamento feito pelo ganancioso insecto foi confiscado e destinado a fins comunitários mais responsáveis, na sequência da integração da formiga no sistema correccional. Enquanto isso, a cigarra organizava um programa para os jovens insectos da região desejosos de intercâmbio cultural com países dotados de climas mais quentes. Graças a uma redistribuição dos recursos do governo (e aos bens da formiga), a cigarra vem desde então até hoje guiando expedições de surfistas.


Assim, James Finn Garner agarra em vários contos de fadas e reescreve-os de forma, como ele próprios lhes chama "Politicamente correcta".

Um livro que se pode ler ou não, mas sobre o qual não se pode certamente deixar de pensar depois que se ler.

A pérola

Posted by merlin at 2005-11-27 12:11:06 with the tags
- Kina, essa pérola é uma coisa maligne. Vamos destruí-la antes que ela nos destrua. Vamos esmagá-la entre duas pedras. Vamos... vamos atirá-la ao mar de onde ela veio. Kino, é uma coisa maligna, é uma coisa maligna!

E enquanto ela falava, a luz voltou aos olhos de Kino, e eles brilharam ferozmente, e os seus músculos retesaram-se e a sua vontade endureceu.

- Não - disse. - Eu vou lutar contra essa coisa. Eu hei-de ganhar. Havemos de ter a nossa oportunidade. - O seu punho fechado caiu sobre a esteira. - Ninguém vai roubar-nos a nossa boa sorte - disse.

Depois os seus olhos suavizaram-se e acariciou o ombro de Juana.

- Acredita - disse ele. - Eu sou um homem.

O seu rosto tomou uma expressão astuciosa.

- De manhã metemo-nos na nossa canoa e vamos atravessar o mar e as montanhas até à capital, tu e eu. Não vamos ser enganados. Eu sou um homem.

- Kino - disse ela com voz rouca. - Tenho medo. Um homem pode ser morto... Vamor atirar a pérola ao mar.

- Cala-te - disse ele ferozmente. - Eu sou um homem. Cala-te. - E ela ficou silenciosa, porque ele falara no tom de quem dava uma ordem. - Vamos dormir um pouco - disse ele. - Quando romper o dia, partimos. Tens medo de ir comigo?

- Não, meu marido.

Os olhos dele fitaram-na com ternura e carinho, e ele acariciou-lhe o rosto.

- Vamos dormir um pouco - disse.


Este trecho termina o quarto capitulo de uma das obras que valeu o prémio nobel da literatura a John Steinbeck. Esta em particular, A pérola, é baseada num conto popular mexicano, mas é também uma obra, como a generalidade das obras deste autor, a estória de como uma grande pérola foi encontrada, mas também de como se perdeu.

Mas é acima de tudo a história de como uma famila passou por este encontro e por este desencontro, da solideriedade de uma mulher (Juana), um pobre pescador indío (Kino) e o filho de ambos (Coyotito).

Trata-se de um livro que me foi oferecido ainda em tenra idade, que mais tarde li por obrigação na escola, mas que acabei por ler mais vezes depois disso. Trata-se da única obra do autor que já li, e quando penso nisso não consigo perceber porquê.

À Boleia pela Galáxia

Posted by merlin at 2005-11-23 12:51:08 with the tags
Segundos antes de a Terra ser destruida para dar lugar a uma auto-estrada intergaláctica, Arthur Dent é salvo e levado para bordo da nave que estava a construir a auto-estrada por um amigo.

Um livro ilariante, que nos fala de coisas altamente improváveis, como sejam naves com propulsão de improbabilidade ou ratos que andam à milhões de anos a fazer teste connosco, ou dois primos de outro mundo, um deles o melhor amigo de um tipo, o outro rouba-lhe a candidata a namorada, e que acabam por se juntar (os quatro) no meio de nenhures, e tudo porque o segundo primo decide procurar um planeta altamente imporvável de existir, mas que afinal existe mesmo.

À boleia pela galáxia é um livro que nos fala da resposta para a pergunta derradeira da vida, do universo e de tudo o resto:

Dois homens sobriamente vestidos encontravam-se respeitosamente sentados em frente do terminal e esperavam.

- Está quase na hora - disse um deles. E Arthur ficou espantado ao ser uma palavra materializar-se repentinamente no ar, mesmo ao lado do pescoço do homem. Dizia LOONQUAWL e piscou algumas vezes antes de desaparecer novamente. Antes que Arthur conseguisse assimilar este facto, o outro homem falou, provocando a aparição da palavra PHOUCHG junto ao seu pescoço.

- Há setenta e cinco mil gerações, os nossos antepassados iniciaram este programa - disse o segundo homem. - E depois de todo este tempo, seremos nós os primeiros a ouvir o computador falar.

- Uma prespectiva pavorosa, Phouchg - Anuiu o primeiro homem. Só então Arthur percebeu que o que tinha visto antes eram legendas.

- Seremos nós que ouviremos - replicou Phouchg - a resposta à grande pergunta sobre a vida...!

- O universos...! - continuou Loonquawl.

- E tudo o resto!

-Chiu! - exclamou Loonquawl com um pequeno gesto. - Acho que o Pensamento Profundo se está a preparar para falar!

Houve um pausa expectante enquanto os painéis da frente da consola ganhavam vida lentamente. Luzes piscaram de forma experimental, acabando por assumir um padrão funcional. Um suave zumbido veio do canal de comunicações.

- Bom dia - disse finalmente Pensamento Profundo.

- Hmm... Bom dia, Pensamento Profundo - disse Loonquawl, nervoso. - Tens... hmmm, isto é...

- Uma resposta para vos dar? - interrompeu Pensamento Profundo majestosamente. - Sim. Tenho.

Os dois homens estremeceram de ansiedade. A sua espera não fora em vão.

- Há mesmo resposta? - arquejou Phouchg.

- Há mesmo resposta. - confirmou Pensamento Profundo.

- Para tudo? Para a pergunta derradeira da vida, do universo e de tudo o resto?

- Sim.

Ambos os homens tinham sido treinados para este momento e as suas vidas dedicadas à preparação deste instante. Tinham sido escolhidos à nascença para serem aqueles que iriam testemunhar a resposta mas, mesmo assim, deram por si a gaguejar e a contorcer-se como crianças excitadas.

- E estás pronto para nos dar essa resposta? - insitiu Loonquawl.

- Estou.

- Agora?

- Agora. - disse Pensamento Profundo.

Os dois homens passaram a língua pelos Lábios secos.

- Mas parece-me - acrescentou Pensamento Profundo - que ela não vos vai agradar.

- Não interessa! - disse Phoughg. - Temos de saber! Agora!

- Agora? - perguntou Pensamento Profundo.

- Sim! Agora...

- Está bem - concordou o computador. E voltou tudo ao silêncio. Os dois homens agitaram-se. A tensão era insuportável.

- Vocês não vão gostar mesmo nada - avisou.

- Diz-nos!

- Está bem - disse Pensamento Profundo - A resposta à Pergunta Derradeira...

- Sim...!

- Sobre a Vida, o Universo e Tudo o Resto...

- Sim...!

- É...

- Sim...!!...?

- Quarenta e dois - pronunciou Pensamento Profundo calma e majestosamente.


E assim ficamos a saber a resposta à pergunta, e no capitulo seguinte o autor diz-nos como pode ser descoberta a pergunta, pois a resposta é bastante obvia depois de se saber a pergunta...

Um livro fascinante, digo mais uma vez, que se lê com tal facilidade que o dificil, verdadeiramente, é parar. Um livro que comprei em Português, mas que em breve irei comprar em inglês... Se alguém me quizer oferecer uma prenda de natal aqui fica um sugestão...

O regresso de Merlin

Posted by merlin at 2005-11-18 19:10:14 with the tags
- Atenção! - ordenou Merlin.

Melchior voltou os olhos, observando a poeira a dançar na luz. A sua visão parecia invulgarmente apurada, uma vez que imaginava conseguir realmente concentrar-se em cada uma das partículas. Centenas, milhares, depois centenas de milhar delas mantinham-se na sua mente, enquanto formavam e voltavam a formar padrões exóticos, imagens fantasmagóricas que flutuavam no ar apenas para se dissolverem e renascerem outra vez.

-O que vês? - murmurou Merlin muito próximo do ouvido de Melchior. Melchior abriu a boca para responder, mas não conseguiu.

- Optimo! Uma pessoa deve ficar aparvalhada ao ver a realidade pela primeira vez... os mundos indo e vindo como poeira num raio de sol. O que é o conhecimento do feiticieiro além disso? Oh, céus, a minha mensagem.

Subitamente, Merlin afastou Melchior para o lado com um rude empurrão. Antes de conseguir pensar, o aprendiz ouviu uma queda. Uma retorta de vidro fora feita em pedaços e, quando olhou com mais atenção, viu que a causa fora um dardo grosso de um arco.

- Aquela seta estava-te destinada - comentou Merlin calmamente. - Não te teria matado, mas quis poupar-te a dor.

Melchior conseguiu mmurmurar um rápido agradecimento antes de o mestre bater as palmas. Sem mais, o aprendiz desapareceu. No seu lugar estava um pequeno falcão. Merlin atou apressadamente a mensagem à pata da ava e levou-a para a janela.

Contorcendo-se, o pequeno falcão soltou um pio e mordeu o feiticeiro na parte carnuda do polegar fazendo sangue.

- Eu sei que não te disse o bastante - desculpou-se Merlin -, mas terás de viver este drama em especial.

Com um salto atirou a ave para o ar.

- Vai ter com o rei!

O falcão precisou de um segundo para se equilibrar e, em seguida, mais rápido que o pensamento, dirigiu-se como uma bala na direcção da janela aberta onde Arthur estava sentado.


Um romance misterioso, que nos transporta repetidamente entre os tempos imemoriais de Camelot e os nossos tempos, numa teia de eventos que apenas muito tarde conseguimos perceber, quando finalmente percebemos que o tempo é isso mesmo, uma teia.

Neste romance Deepak Chopra vai tão longe como na maioria dos seus livros, libertando um pouco mais a nossa mente das pequenas teias que nos amarram não apenas ao presente mas especialmente ao passado, lembrando-nos que o passado e o futuro não são as únicas variantes que o tempo tem para nos apresentar.

Nunca a lenda se cruzou tanto com os nossos dias e com as nossas mentes. E nunca a lenda deixou tanta esperança que ...
...o amor, a confiança, a empatia e a plena consciência suplantarão um dia o ódio, o medo e a ignorância."

O factor Aladino

Posted by merlin at 2005-11-17 16:11:55 with the tags
Uma das maiores lições que já aprendi foi quando era empregado numa loja de vídeos em Fort Lauderdale, na Florida. Eramos pago à comissão - uma comissão muito pequena em electrodomésticos de maior porte, coisas como televisões e câmaras de video e uma comissão maior nas restantes mercadorias - baterias, malas e outros acessórios - porque havia muita venda destes produtos. Um dia, entrou um individuo cheio de pressa. Ele ia fazer uma viagem com a família, que estava à espera no carro, e precisava rapidamente de uma câmara de vídeo. Ele confiou em mim e disse:

- Dê-me aquilo que acha melhor porque quero gastar 1000 dólares numa câmara de vídeo. Aqui está o cheque. Dê-me algo que possa utilizar agora.

Por isso, escolhi para ele e ensinei-o a utilizá-la. Não ganhei muito dinheiro com aquilo porque era um electrodoméstico de grande porte. Em vez de lhe mostrar todos os acessórios, disse para mim mesmo «este tipo está com pressa».

Cerca de três dias mais tarde, o mesmo homem regressou como se eu tivesse acabado de lhe matar um filho.

- Confiei em si. Passei-lhe um cheque de 1000 dólares assim que aqui entrei. Era suposto você tomar conta de mim. Fui pela primeira vez à DisneyWorld com a minha família e passados vinte minutos a bateria da minha câmara de vídeo ficou sem carga. Se era suposto tomar conta de mim, por que é que não me vendeu uma bateria extra?

- Porque estava com muita pressa.

- Arruinou as minhas férias.

Sinti-me a morrer e aprendi a nunca tentar ler a mente dos outros ou indicar a alguém o que precisa. Só leraria dois segundos a perguntar se queria uma bateria extra ou um tripé e deixá-lo decidir. Não só perdi um cliente como perdi uma comissão valiosa. Agora deixo sempre o cliente decidir se lhe serve ou não.


Esta é uma das muitas histórias que pode encontrar neste livro de Jack Canfield e Mark V. Hansen, autores de livros como Canja de Galinha para a Alma.

Este em particular é um livro que nos mostra como conseguir alcançar o que pretendemos, na maioria das vezes pela forma mais simples, e aquela a que nenhum de nós pode fugir... Pedindo.

É um livro que nos fala sobre a forma como podemos pedir o que pretendemos obter, e que nos lembra a história do ladrão:

Existe uma história sobre um ladrão que em tempo antigos roubou um casaco magnifico. O casaco era feito dos melhores materiais incluindo botões de prata e ouro. Quando ele voltou para junto dos seus amigos após ter vendido o casaco a um comerciante do mercado, o seu melhor amigo perguntou-lhe por quanto dinheiro tinha vendido o casaco.

- Cem moedas de prata - foi a sua resposta.

- Quer dizer que só recebestes cem moedas de prata por aquele casaco magnifico? - perguntou-lhe o amigo.

- Existe algum número maior do que cem? - perguntou o ladrão.


Uma história que serve de introdução ao primeiro capitulo do livro, em que o autor nos lembra que a principal razão porque as pessoas não pedem aquilo que querem é por não saber o que pedir. Uma história que nos lembra que a ignorância é muitas vezes o nosso pior inimigo.

O Louco

Posted by merlin at 2005-11-16 12:04:16 with the tags
Sabem como fiquei louco?

Há muito tempo, muito antes de terem nascido os deuses, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas.

As sete máscaras que tinha fabricado meticulosamente tinham desaparecido. Se nenhuma máscara, saí a correr para a rua a gritar: Ladrões! Malditos ladrões!

Todos se riram de mim, mas alguns fugiram e fecharam-se em casa com medo.

Quando cheguei à praça principal uma criança, que estava sobre o telhado de uma casa gritou: "Olhem, é um louco!"

Voltei a cabeça para a ver e o sol encontrou pela primeira vez o meu rosto nu. O sol iluminou ao mesmo tempo o meu rosto e a minha alma.

A partir desse dia nunca mais usei máscara, e agradeço todos os dias aos ladrões que me a roubaram.

Agora que já sabem como me tornei louco posso confessar-lhes que encontrei muita liberdade e segurança na minha loucura. A liberdade da solidão e a segurança de nunca ser compreendido (aqueles que nos compreendem fazem de nós escravos).

No entanto, sei que não posso orgulhar-me demasiado da minha segurança, pois nem o ladrão encarcerado está livre de encontrar outro ladrão.


Este é o texto que abre uma das muitas compilações de texto da autoria de Khalil Gibran, esta com o mesmo titulo do conto com que é iniciada.

O autor que nasceu a 6 de dezembro de 1883 e que ultrapassou em alguns meses a idade de 47 anos, ficará para sempre na memória daqueles que procuram encontrar outras formas de expressar as suas crenças e a sua religiosidade.

Brida

Posted by merlin at 2005-11-16 11:45:13 with the tags
«Wicca sabe organizar um Sabbat», pensou o Mago, à medida que se aproximava. Ele podia ver e sentir a energia das pessoas, circulando livremente. Nesta fase do ritual, o Sabbat parecia-se com qualquer outra festa - era preciso fazer com que todos os convidados comungassem de uma única vibração. No primeiro Sabbat da sua vida ficara muito chocado com tudo aquilo; lembrava-se de ter chamado o seu Mestre para um canto, para saber o que estava a acontecer.

- Já foste alguma vez a uma festa? - perguntou o Mestre, aborrecido por ele interrompera uma animada conversa.

O Mago respondeu que sim.

- E o que faz uma festa ser boa?

- Quando todos estão a divertir-se.

- Os homens dão festas desde o tempo que habitavam nas cavernas - respondeu o Mestre. - São os primeiros rituais colectivos de que se tem noticia, e a tradição do Sol encarregou-se de manter isso vivo até hoje. Uma boa festa limpa o astral de toda a gente que está a participar; mas é muito dificil de acontecer - bastam poucas pessoas para estragar a alegria comum. Essas pessoas julgam-se mais importantes do que as outras, são difíceis de agradar, acham que estão ali a perder tempo, porque não conseguiram comungar com os outros. E acabam por experimentar uma misteriosa justiça: geralmente, saem carregadas com as larvas astrais expulsas das pessoas que souberam unir-se aos outros.

» Lembra-te que o primeiro caminho directo até Deus é a oração. O segundo caminho directo é a alegria.


Criticado por alguns, aplaudido por muitos, a verdade é que Paulo Coelho vende milhões de livros sempre que publica um novo livro.

Este foi o primeiro livro do autor que li, e ainda que não se trate do livro que mais gosto do Paulo Coelho, é um livro importante para mim, não apenas por ter sido ele a revelar-me o autor, mas também a acordar-me para a existencia de outras possibilidades filosófico-religiosas que não a religião professada pela maioria da nossa sociedade, o que inclui os meus ascendentes directos, e na qual foi criado.

Foi este livro que me levou a querer saber mais sobre muitas das outras possibilidades que se apresentam aos homens que queiram seguir outros homens, o que acabou por me ajudar a perceber que em muitos temas, com a espiritualidade entre eles, eu não sou pessoa de seguir.

É um livro que fala de uma rapariga no seu caminho iniciático por aquilo a que o autor chama de tradição da Lua, por contra-partida com o caminho do Sol, seguido pelo Mago, um segundo personagem e uma das almas gémeas que se cruzam com Brida nesta vida.

Independentemente de tudo o resto, numa coisa penso que o autor tem razão. A alegria é um dos caminhos directos para Deus, independentemente daquilo que Deus represente nas nossas crenças.

As pequenas coisas dizem muito

Posted by merlin at 2005-11-15 08:33:01 with the tags
Os pequenos pormenores - o seu tom de voz, as palavras exactas que utiliza quando participa em eventos em tudo o resto banais - comunicam imensas coisas.

Será que os pequenos detalhes, como uma ligeira mudança de expressão facil, têm importância?

Os seres humanos não incham como sapo nem mudam de cor como os camaleões. As nossas reacções evidenciam-se em expressões faciais mais subtis, em tons de voz e através da nossa linguagem corporal.

Pense no seguinte: reconhecer a expressão facial de alguém leva menos de um sexto de segundo. Somos capazes de processar expressões a mais de cem metros. Como conseguimos fazê-lo? Prestando atenção. Os seres humanos sintonizam-se com as expressões faciais enquanto indicadores daquilo em que os seus companheiros estão a pensar. Por sentirmos que as expressões faciais são importantes, consagramos-lhes a nossa atenção. Por prestarmos atensão às expressões faciais, reagimos a elas. Por reagirmos, as expressões faciais tornam-se importantes na nossa comunicação.

Da próxima vez que uma pessoa lhe perguntar se gostou do jantar que ela fez e o leitor disser que estava bom lembre-se de que o seu interlocutor está a prestar atenção não só ao que lhe diz, mas também a outras mensagens que lhe possa estar a transmitir.


A este juntam-se outros 99 segredos, naquele a que David Niven chamou "The 100 Simple Secrets of Happy People:...". titulo que a gravida trazduziu para "Os 100 segredos das pessoas felizes". Um livro que vale a pena ler devagarinho, e que lhe fala, não apenas de pequenas coisas como a forma de expressão, como no caso acima, como também nas vantagens de manter a mente aberta, de partilhar coisas com as pessoas que o rodiam, de forma estreita ou mais alargada, e muito, muito mais.

A não perder, ainda que se possa sempre lembrar o velho ditado que diz que "a felicidade não parte dos outros para chegar a ti, mas de ti para chegar aos outros"!